10.10.09

à Cazuza

Ela saiu pela rua para comprar pão vestindo uma camisola de bolinhas.
Seu andar leve da última noite de amor se alimentava da certeza do olhar do amado na janela.

O amado certamente se encantava vendo-lhe sorrir tranquila,
vendo em seu balançar, que era dele também, tudo que tinha pra contar de amor
Ela provocava-lhe com os sensuais pés descalços sob o céu nublado
Provocavam-se

A amada caminhava vestindo calcinha de bolinhas
pela rua sem transeuntes até chegar a fila do pão
sem disfarçar por um segundo a leveza do existir distraído
de quem inventou um amado e colocou na janela.

8.10.09

sim, Limão

Uma manhã de quinta com cara de sábado
sinto a liberdade patética de quem foje da rua, e adia compromissos
não há liberdade quando não se pula muros
não ha liberdade quando se pula
não há liberdade quando se vive.

É preciso finjir não saber do impossível
e continuar todos os dias a dança
e enquanto se dança é fácil esquecer como a música começou,
não saia da dança.
não pare de dançar.
esqueça-se, dance.
dane-se

Não pense em chegar em algum lugar,
não há lugar onde se chegar.
dane-se

Outro dia vão inventar uma cáspsula, cujo ingresso mediante ao pagamento de um ticket, nos dará acesso a uma quimica que nos fará sentir tudo isso que eu posso imaginar que imaginavam quando pela primeira vez usaram essa palavra. E certamente todos no gift shop entraram dizendo haverem sentido-se livres.

Deve existir outra liberdade
menos romantica do que cantam os andarilhos
deve ter outra, e certamente não será absoluta
ai mais uma vez estaremos prezos numa sala de dicotomias

Quando então começa a busca pelo absoluto, qualquer que seja.

7.10.09

doi sempre?
todos os dias serão de busca até morrer?
não poderia ao menos uma vez ser ludibriada pela sensação de que encontrei alguma coisa?

Macabéa tomava aspirina
nunca resolveu.

fragmentada e superficial.
dispersa como a modernidade,
porque toda forma de concentração tras dor.
sou alergica a aspirina.

A ultima distração acabou, nao vivia, nessa não vida era possivel seguir em frente.
e agora? como faz pra esquecer o existir?

4.10.09

Adoro os dias...

...em que ipês coloridos
cor-de-rosa, roxos ou amarelos
parecem querer fazer sorrir quem passa indiferente no mundo de concreto.

19.9.09

Mesmo sendo pequeno, conseguiu abrigar a solidão
no café eram cinco mesas e cinco mulheres sozinhas
uma sentada num banco mais alto tomava coca-cola, tinha seus 40 anos
outra escolheu a mesa da passagem da porta e um livro
a segunda um expresso com espuminhas de leite e um belo colar
expresso seria por demais solidão
a da outra ponta, bebia um chá gelado com um folhado
os cabelos esvoaçados e prontos fariam qualquer um crer
que as mesas seriam ocupadas

Engano
. grande engano.
estavam demasiadamente cheias de sis
completas, até a ultima gota de toda solidão que cabe nessa cidade.

Tranquilas como a vista aérea da esplanada.

7.9.09

nauseas da anunciada primavera

quais são as medidas de ainda?
quando se fala em tempo as medidas são absolutas?
ainda é ainda pra quem?
será que só não passa o meu aqui?