28.3.11

Perda da palavra

Pelo nosso acordo estava o acaso.
Veio o destino e mi hizo trampa.
Dei minha palavra, mas agora fiquei sem ela.
Agora não sei desde que lixeira posso restaurá-la.

26.3.11

Não, eu vou.

a mon lemon

Eu não gosto de voltar. Não é que Brasília seja especial, nem é por nada em específico, é que meu santo não bateu com o do verbo, porque o tempo da volta pode não ser tempo do novo. Se eu esqueço o óculos em casa, ele fica em casa e eu sigo, o mesmo vale pra o protetor solar e pra a maça do lanche da tarde. Não volto pra buscar nada, a menos que tenha esquecido o canivete ou a lanterna, e eu esqueço sempre. Nesse esquecer diário, banalizei e esgotei a pobre palavra voltar que quando foi usada por mim pelas primeiras vezes era pura, livre e tão equivalente a ir.

O verbo esquecer por sua vez pode ser intransitivo, transitivo direto ou transitivo indireto. Se eu puder ser sábia, uso o esquecer como intransitivo. Quebro as conexões e as pernas do verbo esquecer (de coisas), libertando por outro lado o verbo voltar, que nem vai ser paraíso nem o contrario disso. Aí, então, apesar da incomodidade da pergunta: você volta? E a resposta, talvez possa ser, tanto faz, mas prefiro ir.

23.3.11

ir e voltar

O verbo ir é continuo, tem a ver com seguIR. Quem vai, primeiro vai. O ir independe de voltar. Ir guarda em si surpresas e descobertas. Ir (ia dizer ao Japão, mas pareceu humor negro) pra Entre Ríos, ir pra La Plata, ir pra Acarí, não importa muito a pompa ou a familiaridade do destino, quando se diz ir existe o desconhecido, querido amigo desconhecido, ah. O pobre voltar, perde qualquer pompa porque prescinde de ir, não é como comer chocolate amargo pela primeira vez. Vou daqui, e volto pra lá. E o problema é esse maldito voltar.

16.3.11

Tales of my mere existence

I can't sleep. I can't sleep because I only have more 16 days in Buenos Aires. I'm spending the weekend out of the town, which means that I only have 12 days here. It's not that I'm drinking tones of coffee to keep myself awake, although I'm drinking coffee right now. I even try to sleep, I do try to sleep, but I feel that I'm wasting my time, and I get up and go back to work, just so in the next day I can go to the park because I've had my work done. I stay awake until I cant do anything anymore, and than I take a 4 hours nap. During the whole following day, I'm so fucking tired that I'd love to spend the afternoon sleeping. But I can't, cause this is the afternoon 15. I get up and put myself in front of the computer, I'll do everything very fast, just so I can go to the park soon. But it's already time to go back to classes again.


*sorry for my poor english.

14.3.11

Outra vez os dias começam a restar. Não consigo decidir se me planejo a longo prazo, e assim mato os dias. Ou se me planejo dia a dia, e assim mato as coisas. Talvez a ideia seja matar as coisas e com elas as obrigações inventadas.

27.2.11

16.2.11

Superstição

Sempre que eu saio andando por aí sem muito rumo penso que alguém está me levando pra algum lugar. Se não é o universo me empurrando de um lado, seria um objeto não identificado me puxando por outro. Nunca a teoria de que o universo esteja me empurrando tem sido suficientemente convincente, por outro lado, a de que um objeto me atrai por algum motivo em algum lugar do mundo me encanta. É como se eu saísse por aí buscando um encontro algo que eu não sei o que é, mas que me chama de algum lugar. É como se encontrar o que me chama, fosse encontrar um pouco de mim que estava perdido no mundo e precisa ser religado. É como se eu estivesse sentindo a música e entrando na dança.

É a mesma lógica das viagens de janeiro, em pequenas proporções. Ontem sai de casa para trocar o dinheiro do aluguel. Cheguei na casa de cambio e estava muito cara, como nunca troco muito dinheiro costumo trocar pelo preço que seja. Ontem não. A conversão de $4,16 me pareceu muito abusiva e resolvi ir em uma casa de cambio que costuma ser mais barata, também estimulada pelo fato de ser o último aluguel que pago aqui. Chegando a outra casa de cambio, já era tarde.

Para não perder a viagem virei pro lado e pensei, nunca entrei nessa galeria, vou entrar hoje, quando viro de lado estava uma livraria especializada em cinema que meu professor tinha falado semana passada. Pensei que não podia ser uma coincidência. Sorri e entrei.

Olhei tudo que era de cinema, olhei olhei olhei... e não encontrava quem me chamava. Porque a essa altura já estava segura de que não podia ser à toa que eu tivesse ido parar ali. Tendo essa certeza, comecei a investigar o foco de força que me atraía. Sentei para poder investigar com calma e de mais de perto. Quando me salta aos olhos HENRY MILLER, el Ojo Cosmológico. Pensei que não podia ter tanta sorte assim, era impossível que meu escritor preferido, ou um dos preferidos, tivesse escrito sobre cinema. Só podia ser ese Ojo quem me chamava. Folheei, vi que falava umas coisas sobre cinematógrafo mas não me detive, quando pensei que tinha me enganado, salta, ao fim do livro uma autobiografia. Começo a ler e o dono diz que tem que fechar por uns 10 minutos. Coloquei em cima da mesa e disse que voltaria.

Fui embora, fui embora antes que comprasse impulsivamente o livro. Era uma edição de capa dura, com páginas amarelas e uma letra bem mais agradável que das edições novas e baratas. Odeio que os sebos estejam se tornando lugares de comprar livros novos, feios e baratos, quero livros velhos, bonitos e baratos. Voltando ao assunto, hoje acordei pensando no livro, fui praticamente hipnotizada de volta ao lugar. Sentei e voltei a ler autobiografia dele, queria pelo menos chegar em Paris. Chego à ultima página do livro, ao último parágrafo, que mata o mistério do chamado.

Henry diz sem metáforas nem simbologias:

El noventa y nueve por ciento de lo que se escribe - y eso vale para todos los nuestros productos artisticos - deberia ser destruído.

Era a música de hoje.